ITABUNENSE GANHA BOLSA DE ESTUDO NOS EUA COM PROJETO DE REFORMULAÇÃO SOBRE A SAÚDE DO SOLO
ITABUNENSE GANHA BOLSA DE ESTUDO NOS EUA COM PROJETO DE REFORMULAÇÃO SOBRE A SAÚDE DO SOLO
Tonet por Tonet
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Mais da metade da biodiversidade mundial vive no subsolo, incluindo milhares de espécies animais que desempenham papéis cruciais na manutenção da saúde do solo — a base da segurança alimentar global e da resiliência ambiental. No entanto, os métodos atuais de avaliação da saúde do solo não consideram esse componente vital da vida no solo.
O professor assistente André Franco, da Escola Paul H. O'Neill de Assuntos Públicos e Ambientais, pretende reformular a maneira como agricultores, gestores de terras e formuladores de políticas avaliam a terra, o que lhe rendeu uma bolsa de mais de US$ 737.000 do Instituto Nacional de Alimentação e Agricultura do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos.
ARMAZENAR CARBONO
De acordo com Franco, os modernos indicadores de saúde do solo geralmente monitoram os níveis químicos e minerais, negligenciando em grande parte uma faceta vital do mundo subterrâneo: os nematoides, ácaros, colêmbolos, minhocas e outros invertebrados que são os motores do ecossistema. Esses organismos são responsáveis pela decomposição da matéria orgânica, reciclagem de nutrientes vitais, supressão de pragas e patógenos e construção da estrutura do solo necessária para o crescimento das plantas. Portanto, as mudanças nas comunidades da fauna do solo podem fornecer informações importantes para o manejo e um indicador prático do funcionamento do solo, que se altera de forma detectável e rápida.
No entanto, sem compreender como essas comunidades animais e suas funções respondem a diferentes práticas agrícolas, é difícil determinar seu valor para a avaliação da saúde do solo e se as técnicas regenerativas estão trazendo benefícios a longo prazo, explica.
“Preencher essa lacuna de conhecimento é fundamental”, ressalta Franco, ao assinalar que “não se trata apenas de agricultura. Trata-se de objetivos comunitários mais amplos, como reduzir a erosão, proteger nossos cursos d'água, conservar a biodiversidade e armazenar carbono”.
PROJETO ABRANGENTE
O projeto, intitulado “Integrando animais do solo à estrutura de saúde do solo para promover a multifuncionalidade em agro ecossistemas regenerativos”, conta com a colaboração de Christine Sprunger, da Universidade Estadual de Michigan. O projeto realizará um estudo abrangente no centro-oeste americano, com pesquisas em áreas de estudo do Programa de Pesquisa de Agro ecossistemas de Longo Prazo (LTAR, na sigla em inglês) em Dakota do Norte, Nebraska, Michigan e Ohio, comparando diversas estratégias de manejo de culturas e pastagens em condições reais.
Além das observações de campo, a equipe realizará experimentos controlados, ajustando meticulosamente as populações de animais do solo para observar seu impacto direto no desempenho do solo. Essa abordagem dupla permitirá que os pesquisadores desenvolvam indicadores práticos da vida do solo que podem ser integrados às estruturas de avaliação da saúde do solo já existentes.
INTENSIFICAÇÃO SUSTENTÁVEL
“Nosso objetivo é fornecer aos profissionais da agricultura ferramentas mais completas para orientar os investimentos em intensificação sustentável”, disse Franco. “Ao incluir os animais do solo na discussão, a pesquisa ajudará a garantir que as fazendas permaneçam produtivas, ao mesmo tempo que proporcionam benefícios públicos, como água mais limpa e economias regionais mais fortes.”
CURRÍCULO
Especialista em ecologia do solo e mudanças globais, com doutorado pela USP e pesquisador na Indiana University., André Franco acumula ainda outros títulos como:
doutorado em Ciência do Solo pela Universidade de São Paulo (USP);
mestrado em Bioenergia pela Universidade Estadual de Londrina (UEL);
Bacharelado em Agronomia pela Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC);
e atualmente é pesquisador na O'Neill School of Public and Environmental Affairs - Indiana University.